segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Constatações nucleares


Você gosta de ir pro bar, ouvir um rock, tomar umas breja, curtir com umas mina... Mas você não tem dinheiro – e pra fazer isso você precisa de dinheiro. Aí você arruma um emprego, pra poder viver as coisas que você curte: bar, rock, cerveja, mulher etc... Só que aí você não consegue fazer mais nada, por causa do trabalho, que o consome, o esgota – e você não pode mais ir de ressaca, tem que estar bem, de corpo e mente, pra poder se dedicar e ser eficiente e produtivo com o que você faz, afinal de contas é o seu emprego, e você precisa dele pra pagar as suas contas – que são outras mais, que não a do bar, já foi. Aí você não vai mais pro bar, bebe em casa (aliás, que antes você também queria uma casa vazia, sua, pra poder dar uma pirada com os amigos, umas mina e tal... Agora que tem a casa, quer distância da piração, pois o trabalho, sabe como é...). Aí você arruma uma mulher pra fazer a você as fritas e o torresmo que você pedia no bar, pra subir e descer a cerveja na geladeira, pra fazer um boquete e sentar no seu pau até você gozar enquanto você curte um ACDC - pra trocar uma ideia queimando um. Aí você percebe que as coisas que você gosta ainda são as mesmas, mas a saudade que bate é de como você as realizava: o descompromisso, a irresponsabilidade, o pé-na-jaca, a loucura, os atrasos... Aí certo dia você fica puto, explode e pede demissão do emprego, pra voltar a ter tempo – enquanto ainda tem saúde e energia – pra voltar a fazer as coisas como fazia antes: com “liberdade”! (pura enganação!). Mas as coisas não voltam a ser como eram. Os ritornelos sempre trazem alterações. E aí pouco você curte com seu fundo e vê que você está desempregado e sem dinheiro e volta a ficar sem nada a fazer e menos ainda do que gosta. Então você percebe que, na verdade, o paladar foi se apurando com o passar do tempo, e você vai mudando novamente, aos poucos, as coisas das quais você gosta, ou a maneira de lidar com elas. E o costume requer outro estilo de vida, a postura pede um bom desempenho. E você enxerga que depende apenas e exclusivamente de você próprio para trilhar esse ou aquele caminho, de tal ou qual modo for... 

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