quarta-feira, 27 de junho de 2012

Eleição é o caralho



brasil: país sem educação, sem bom senso, sem-vergonha!
Absurdo, enquanto professor ganha menos de 10 reais hora/aula, parlamentares têm o dom (a cara-de-pau) de aumentar suas verbas (para 68.000) para manter seus gabinetes, colocando até 25 vagabundos para assistirem o vagabundo-mor.
Por que será que os políticos não vivem como qualquer outro trabalhador, se sustentando, sobrevivendo com seu salário, sem auxílios nem benefícios disso ou daquilo?? E os filhos da puta ainda roubam dinheiro público para bancar viagens, caviar, champanhe e toda a canalhice que os rodeia. Impunes, dão uma bela cagada aos problemas daqueles que deveriam ajudar: o povo.
Por isso que esse país de merda não muda.     

Pinote no astral



Estou no mundo. Não tenho isqueiro nem fósforo, muito menos gasolina. Mas o combustível que incendeia está em minha mente, em faíscas, pronto para explodir. No entanto, posso perder tempo, usá-lo a mercê do meu sabor. Mar no céu, espuma de onda quebrada, traçados dos ilimitados espaços que se movem. Ao toque do encontro entre meu tato e o ar, as coisas mudam. Uma ideia passa e tudo se transforma. Do sol atinjo o mi, corre em mim a cachoeira de fogo. Experimento um sentimento novo, algo que se anuncia, mas não claramente se enuncia, pois o enunciado há de se formar ainda. A chama brota, num vazio, onde a concentração de discursos transitando é tumultuosa. Não sei mais o que é o que. Apenas deixo o impulso seguir a força de seu querer tornar-se algo, sem cair na mesma rota ou numa moldura daquilo que parece ser. Sinto apenas uma profunda relação com o que me toca, então tocamos juntos. Escavando, encontramos o planetário; e já estou só novamente. A plasticidade da linha do horizonte intervém para abrir em mim algo que não conseguia ver: o indefinido, que definha, arde, afina, consome-se e some no espaço. Capto apenas as vibrações desse lugar. Tento ouvir o que diz esse lugar. Silêncio. Solidão. Milhares de anos em cirúrgicos movimentos tectônicos, fendas abissais em falhas geológicas. A imagem do distante me faz sentir como um pingo, sendo absorvido maternalmente pela terra, e evaporando lisergicamente no vácuo do invisível – o não-pensável que imaginamos ver na lente da tela interna. Mais de perto, o Carrasco quer trepar no Zorro. Deixa, são cachorros, que esfolem os cuzinhos.    

domingo, 24 de junho de 2012

Ideia da terra


Poeta: ser: ativista da terra.
Em busca de uma linguagem que brote da terra, que soe com o solo, floresça com o amadurecer dos passos. A fala, a escrita, o uso. Expressa e comunica o pensamento que pensa ou sente o sentimento que sente e transmite as ondas de energia em alguma forma de signos. Aos arredores. Tudo burburinha: o pingo da gota da chuva no chão, que, primeiro, a retém, depois a absorve, e vão crescendo as palavras. 
Como saiu de Barros, escavar ideias, escovar palavras.
Apenas olhar ao céu, ver as estrelas, enxergar que existo.
“A pulsação do homem bate em suas veias assim como se dá a circulação dos astros em suas vias”.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mar no céu

da varanda, o indefinido... aroma de café, domingo de manhã...

Explosão

zoom de caóide

Azul na tela

óleo sobre tela, 60x90

Esfolando o cuzinho



Substâncias pede o corpo. Femil-eti-la-mina. Para depois chegar à dopamina e à ocitocina. Organismo vivo. O cérebro. Liberta libertinagem. Nas faltas, álcool, roipinol, gardenal, cocaína, ritalina, heroína, stricnina, muitas inas, cloridrato de naltrexona – esvazia a falta, vácuo nos sentidos. O enunciado de um sujeito qualquer que não pode ser outro senão este – nesse momento, pois os ritornelos estão aí acerca da existência.      

quarta-feira, 20 de junho de 2012

CAMINHO DA PEDRA - POEMA




Uma pedra no caminho tinha.
José fumou a pedra.
José, e agora? E agora, José?
Se tivesse no caminho outra pedra,
José fumaria.
José quer pegar outra pedra no caminho,
Queimar até acabar.
Agora José rouba,
Pra comprar pedra.
Pedra no caminho encontra fácil.
Derrete José.
Qualquer caminho tem pedra.
José mata por uma pedra.
No meio do caminho fuma pedra.
Petrifica, José. 
José tornou-se cinza.
A pedra fumou José.
Muitos josés a pedra pega.
Mata os josés a pedra.
E agora, Pedra?
Que chegue o próximo josé. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Não há nada incompreensível

"Se a moral de Cleópatra tivesse sido menos curta, a face da Terra teria mudado; nem por isso seu nariz teria sido mais longo". 


                                                                                                                cut up Blanchot, A parte do fogo.

domingo, 10 de junho de 2012

Única


Única e verdadeira amizade. Sem interesses. Para que palavras, se outra forma de linguagem se manifesta: a compreensão de um breve devir, portanto, a troca de afetos, carinho. Aí encontram o sentido da existência: compartilhar os instantes.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Defenestrando


Infância e história. Performatizar linguagem. Experiência, domínio, discurso. Matriz recriada de sujeito. Arqueologia. Saber. História como teia discursiva. O eu do discurso não é o eu da experiência. Pulsação de vida potencializada com o campo discursivo: lidamos com discursos. Identificação entre Homem e Linguagem. O homem é falado pelo inconsciente, se manifesta pelo que não se diz. Modo de ler operante o ser da linguagem. Genealogia. Modo de operar as possibilidades da história. Vasculhar avessas perspectivas. Escavar os discursos. Quais campos do saber são valorizados. O campo do não dito. Apreender a polifonia. O outro modo de fazer História. O que tem de emergente. Rachar os discursos para não ter o estabelecido. Chegar ao inapreensível. Abraçar o dorso do abstrato. É preciso muita observação para que a observação (coisa observada) observe você. Já dito. Enfrentar as tradições. Problematizar. A terra percebe o cadáver. Exemplo intempestivo. Diz do presente. É emergente. Põe em risco o não dito. O Humano é da ordem do inacabado. A escrita pacifica as angústias nunca acabadas. Mas só ameniza. Depois explodem outras. Desenrola mito. Ser pai é narrar algo. Refrações da memória. As vozes que formam a transitividade. Alguém em relação ao outro em desabrigo. Trabalhar para potencializar a sua história de vida. A epopéia do texto: o risco de descobrir a linguagem. Acordei com uma vontadezinha de chorar. Cortes. Memória involuntária. Estupro e violação: cortar a língua e os dedos para não haver relatos. Conceitual. Sonoro. Imagético. Rítmico. O verso. Ler é criar sonhos. Escrever salvar-se do maremoto. Que esteja em brasa a mente.    


terça-feira, 5 de junho de 2012

Imagine...


Imagine, com esse frio, quem não tem janela para fechar. Imagine quem não tem um teto para morar, não consegue do frio se abrigar. Imagine aquele que não tem uma xícara de café quente para tomar, dessas que esquenta o agora.  Uma bolachinha leve e crocante, de banana e canela, uma fatia de bolo para ajudar a forrar o estômago junto com o café quentinho. Imagina: com fome e não ter onde se esconder do frio!
Imaginou? Como é a face desse ser? Qual a sua estatura? Quanto pesa? Provavelmente imaginou um homem a meia idade, barbado e sujo, que deixou passar as oportunidades, inerte na cachaça, na letargia do tempo, agora já passado, aguenta, fazer o quê? Aí fica mais cômodo de assimilar.
Agora, esforce-se. E imagine que esse ser é uma indefesa criancinha. E que essa criancinha é uma menininha, tadinha. Que já nasceu inserida no gélido da vida: calçada úmida, vento seco, corte na nuca, garoa no pensamento. E certamente a sua mãe também já fora abandonada pela vida, em algum outro canto, e com o seu pai deve ter ocorrido a mesma coisa, e quantos irmãos ela também deve ter perdidos por aí... E isso faz com que os anticorpos dessa raça, que evolui prolifere firmemente em sua cadeia natural. Seguindo pela hereditariedade, fica mais suave de digerir, não?
E se, ao invés desse ser ser humano, imaginássemos um bichano? Ou que tal um singelo cachorrinho? Por que largar num frio desses um cãozinho tão bonitinho? O homem, um tipo de bicho; o cão, outro gênero de animal. Não falam a mesma língua, mas por alguma magia das linguagens internas, existe algo que transita entre os dois, e eles trocam afetos: o cachorro sente dó do homem e sua condição, por isso tenta cativá-lo, alegrá-lo, balançando o rabo, mordendo o tornozelo, convidando para irem vadiar, cheirar os cantos; e o homem, uma complacente piedade para com o cão, por não conseguir compreender a simplicidade da existência da perspectiva canina.
Independente da imaginação de cada um, a agonia do frio, a ânsia da fome, ou a aflição da morte pulsa em todos os seres que vivenciam a experiência de seu próprio devir, e também é tocado pelas formas de vidas alheias, basta o coração bater, o cérebro oxigenado, um sistema em funcionamento. Mas aqui, no momento, há letras no papel, apenas, e não coração batendo. No entanto, a partir do momento em que as letras no papel são lidas, elas levam o cérebro oxigenado a pensar naquilo que a combinação semântica das letras indicam, e o coração que pulsa leva o sistema orgânico que está lendo a ter reações complementares e mais amplas, como um convite: feche o livro, deixe de imaginar, vá passear e observar as coisas do mundo.   

sábado, 2 de junho de 2012

Ritornelo

Passado e futuro: instante presente. A experiência e a curiosidade. O desconhecimento das coisas, em ambos. Ciclos, ciclos. Circular das vozes, os sons e as ideias. Trocas de sensações. Afecções na vida. Sangue nas veias, coração pulsando, mente pensante. "Basta existir para se ser completo".