Os contos de André Arneiro parecem tragédias escritas por um adolescente que teve um encontro inesperado com Nelson Rodrigues e Dalton Trevisan num boteco e ficou com a cabeça à deriva por muita cerveja. Misturou tudo que ouviu e leu. Saíram esses contos.
Citações loucas de histórias em quadrinhos, notícias das páginas policiais dos jornais, coisas de mangás japoneses, melodramas descabelados, personagens atravessando qualquer coerência psicológica, puro folhetim colorido. Tudo numa linguagem que não tem nenhum compromisso com o que se poderia chamar de um bom estilo e que enterra propositadamente a gramática o tempo todo, privilegiando um coloquialismo oral, tosco e direto. Ações implausíveis que rompem a coerência narrativa, criando histórias nada exemplares. Paródia, cinismo, pornografia? Difícil decidir. Esses contos são uma porrada mesmo, sem nenhuma preocupação com quem vai ler. Corra o risco. Um escritor em estado bruto a ser descoberto.
Walter Cezar Addeo