Leitura-recortes "Derivados
da diferença, estenofonia", de Maurício Vasconcelos
Sobre
fragmento ensaístico de Avital Ronell, indagações sobre teorias e culturas em
circulação. Em movimento corpo-conhecimento. Performance, gestual, conceito e
conversa, speech act, a extensão das intervenções da ensaísta.
As
produções de Ronell se leem como incisões no interior de uma história não tão
recente da desconstrução na América. Consolidação das vias ideológicas por onde
transita toda uma série de discursos derivados. Street-talk engendrado como
mapeamento do plano dos saberes, diálogo com as matrizes diferenciais de
pensar, escrever, falar, ouvir. Corta a rua pluriocidental do momento, ponto
convergente de culturas e conversões, múltiplo ato.
Chamado
involuntário, atuação da consciência não procede como resposta a uma convocação
da voz. Construção da diferença, desconstrução como história. Autoridade de uma
presença súbita, não pode se sujeitar a uma vontade nem à força de uma
determinação previsível. Em erupção se encontra essencialmente fora de qualquer
controle, para marcar o que está fora-de-mão em relação a um planejado nós, nós
mesmos.
A
ressonância do martelo, a alternância do um/mesmo.
Livro
como acontecimento, ruindo a superfície da região que viemos a ter como um
livro.
Onde
está o outro? Ou quem quer falar?
O
trabalho ensaístico de Avital Ronell envolve a captura dos processos de escrita
e pensamento numa rede de outras vozes, num plano de ação ou montagem
tópico-conceitual em relação ao livro e à atividade analítica do pesquisador
comparativista de filosofia, literatura e cultura. Ronell e seus escritos se pautam por uma ética
da decisão traçada após a chamada morte do sujeito humanista. Conceitualizando
e configurando a prática diferencial, de modo não substancializado.
Buscam
uma performatividade no campo disciplinar em que se movem, retraçando os
ditames e os impasses da linguagem, ampliando o conceito de escrita teórica e
de livro para o terreno da intervenção cultural.