Alucinações de Lucas Frizzo, ou um eu lírico noiado
Um texto escandaloso. Daqueles que atormenta no cérebro de tão alto os estardalhaços. Tudo é exagerado, sempre. As letras transbordam do papel do livro, assim como a porra escorre da boca da puta – ou do ser com o qual o sagaz Lucas Frizzo copulou ou fornicou ou se meteu, seja ele humano, animal ou vegetal; o negócio é meter pra dentro. Parece uma narrativa turbinada a cocaína, em que a linguagem se escancara rasgando o corpo com o verbo e deixando explodir toda excreção purulenta da mente, jorrar a podridão do egoísmo e escorrer os pudores do ser humano.
Escatológico logo de cara, as expressões bizarras que seguem do início ao fim do texto são um teste ao estômago. O gosto pela ironia para jogar com os valores morais também fala alto, chegando ao cômico frequentemente. Como também dá um humor as colocações dos personagens midiáticos, compondo cenas inimagináveis, tragicômicas. Exibe a sociedade do espetáculo, a devora, rumina, vomita e consome tudo em seguida, às fungadas.
A atração pelo espírito degradante e de autodestruição percorre todo o texto, parecendo buscar uma forma de “transgressão”, onde o autor mais explora sua forma de expressão com as palavras, criando imagens que extrapolam facilmente o limite da verossimilhança. Num tom misto de surreal com naturalismo, ou seria um surrealismo natural? Pois os abusos com o que decorre do corpo não está na esfera do real, mas sim do absurdo.
A narrativa ganha tom de alucinação, parecendo ir pelos espaços entre a lisergia das drogas, o sonho e o pesadelo. Embriaguês e delírio, entre uma coisa e outra, com tudo misturado e sobrando coisas, a overdose na linguagem está sempre ativa.
A falta de pontuação e o mau uso da gramática não atrapalham a leitura, ao contrário, fazem com que o texto flua, numa rápida corrente, como aspirar uma carreira de cocaína, e a leitura vai em uma sentada só, com algumas gramas de pó para acompanhar então...
Por fim, parece mesmo é que Botika quer mais é que se foda - a sua narrativa e o seu leitor! Na consonância de seu narrador, trash, sem dúvida. Afinal, botica é da farmácia e a ficção é o antiácido, invenção do homem.












