terça-feira, 31 de julho de 2012

Pensamor



Penso que o amor seja como a vida – a chama, como escreveu o poeta – uma hora ou outra apaga. Angustiar matutando quando ou como irá expirar é bobeira. Melhor é apenas vivenciar as experiências enquanto arde o fogo. Mas o amor não deve ser pensado, sim sentido. E a vida, viver sem pensar, apenas senti-la: delirante risco.
Quantas palavras já não foram escritas em odes ao amor!? Para que eu riscar mais algumas se nada disso sei? E sobre o que que ainda não se foi escrito? Continuarei à espreita. Sobre o grandioso tema, vou apenas deixar sentir os sentimentos, que surgem e expiram, cada qual ao seu tempo.
 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Morder chinelo



Ele é irracional não pelo fato de que suas capacidades mentais não operam matemática ou gramática – sua linguagem é outra, sem linguística, apenas afetos estimulantes. Mas porque seu sentimento único de leal companhia extrapola qualquer entendimento possível dentro do cérebro permeado por racionalidade, que se preocupa em pagar as contas que irão vencer. E se dois mais dois falhar, o jurus vai rolar, mas o rabo ele não para de abanar, sorrindo a você, tornando o dia mais límpido e a mente mais suave nas ideias, pois o simples é errar na conta e cagar na rua. 

sábado, 28 de julho de 2012

Da infelicidade do ser, ou apenas mais uma ressaca...


Balada, praia cheia, cigarro, micareta (arrgghh!!), crack, religião, pornografia, internet... Tudo coisa de gente infeliz! Gente que não aguenta o seu si mesmo. Quer encontrar no exterior alguma felicidade, pois o seu interior é infeliz. Entrar em contatos. Pegar. Ter.  Coisas. A insatisfação com as próprias ideias é tão perturbante que precisa das ideias dos outros. Não se contenta apenas com a própria presença, sem falas, barulhos, ruídos. Isolar-se é preciso. O silêncio é bom aos ouvidos.
Meu pior inimigo: minha mente perturbada, meu organismo vicioso e viciado, o sistema falho que me governa, meus eus e minhas alteridades, ou seja, sim, eu mesmo – por inteiro. 

Convergências: canção, literatura, filosofia


Solar
Milton Nascimento e Fernando Brant

Venho do sol
A vida inteira no sol
Sol filho da terra do sol
Hoje escuro
O meu futuro é luz e calor

De um novo mundo eu sou
E o mundo novo será mais claro
Mas é no velho que eu procuro
O jeito mais sábio de usar
A força que o sol me dá

Canto o que eu quero viver
É o sol
Somos crianças ao sol
A aprender a viver e sonhar
E o sonho é belo
Pois tudo ainda faremos
Nada está no lugar
Tudo está por pensar
Tudo está por criar

Saí de casa para ver outro mundo, conheci
Fiz mil amigos na cidade de lá
Amigo é o melhor lugar
Mas me lembrei do nosso inverno azul

Eu quero é viver o sol
É triste ter pouco sol
É triste não ter o azul todo dia
A nos alegrar
Nossa energia solar
Irá nos iluminar
O caminho


Executar uma melodia ao sol, à luz que vem do sol – solar.  Uma existência que nasce dos elementos naturais: terra, água, ar, luz, sol – umidade e calor: fotossíntese – e torna-se outro, mais um, elemento da natureza, diferente dos outros já existentes. Buscamos na biblioteca e nos exemplos alheios observar as formas de linguagem, de existir, mas é na interpretação dos fenômenos e sobretudo com a criação de algo novo que se engendra alguma outra ideia de composição. É preciso mesmo que se construa ideias de novos mundos, a comunidade que vem deve ser elaborada à luz de uma plena abertura de sabedoria de convivência. A atividade criativa livre, desenraizada, rompendo o grosso gesso das molduras irá furar o guarda-sol, para que entre novas iluminações que façam pensar formas diversas de relacionamento entre o ser e o mundo, com uma interação frutífera à saúde da paz de espírito e aos organismos pulsantes. Nada é simplesmente dado, tudo se deve pensar com a mente limpa e desbloqueada a maneira plural de criar outras posturas, experimentar possibilidades: a poesia que opera nos olhos a percepção. Viajar, amizade, compartilhar instantes: viver a vida. Fazer da vida uma obra de arte.  

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Trabalho e tédio



“Procurar trabalho pelo salário é uma preocupação comum a quase todos os habitantes dos países civilizados; o trabalho é para eles um meio, deixou de ser um fim em si (...). Mas há naturezas mais exigentes que preferem perecer a trabalhar sem alegria: são pessoas seletivas, que não se contentam com pouco e a quem um ganho abundante não satisfará se não virem no trabalho o ganho dos ganhos (...). Receiam menos o tédio do que um trabalho sem prazer: é preciso que se entediem muito para que o seu trabalho resulte. Para os espíritos inventivos, o tédio vem a ser esta desagradável ‘calma’ da alma que precede o cruzeiro feliz, os ventos alegres (...). Expulsar o tédio de qualquer modo é vulgar, assim como trabalhar sem prazer.”


                                                               Nietzsche, A Gaia Ciência   

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Recortes e interações

"Achar a causa de nosso exílio (e aceitar nosso dia como exílio), entendendo a epifania como feriado, como breve acesso ao país perdido ... mover os maxilares, mordendo imovelmente a lua sangrenta a que cada cão tem direito ao longo de sua vida".


Ó, Nuno Ramos.


"A arte não é o caos, mas uma composição do caos, que dá a visão ou sensação, de modo que constitui um caosmo".


Deleze ou Guatarri.

domingo, 8 de julho de 2012

Ruminações

Olhar, ver, enxergar... É preciso bem observar para melhor interpretar e criar outras novas ou diferentes ideias...


"A realidade só é coerente, redutível a palavras, ideologias e explicações para aquele que não a sabe olhar de perto".


Bob Wilson





sexta-feira, 6 de julho de 2012

Hapiness only real when share

"Ideia de felicidade...
Uma vida mansa e isolada no interior, com a possibilidade de ser útil a quem é fácil ser bom: PESSOAS. Pessoas que não estão acostumadas a serem servidas. E trabalhar com algo que possa ser útil. Além de descansar, Natureza, livros, música... Amar seu próximo. Essa é a minha ideia de felicidade.
E, então, acima de tudo, você como parceira, e quem sabe filhos... O que mais o coração de um homem pode desejar?"


Supertramp - In the wild





segunda-feira, 2 de julho de 2012

Travessia e metamorfoses

"O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando".


                                                                                            Guimarães Rosa