sábado, 28 de julho de 2012

Convergências: canção, literatura, filosofia


Solar
Milton Nascimento e Fernando Brant

Venho do sol
A vida inteira no sol
Sol filho da terra do sol
Hoje escuro
O meu futuro é luz e calor

De um novo mundo eu sou
E o mundo novo será mais claro
Mas é no velho que eu procuro
O jeito mais sábio de usar
A força que o sol me dá

Canto o que eu quero viver
É o sol
Somos crianças ao sol
A aprender a viver e sonhar
E o sonho é belo
Pois tudo ainda faremos
Nada está no lugar
Tudo está por pensar
Tudo está por criar

Saí de casa para ver outro mundo, conheci
Fiz mil amigos na cidade de lá
Amigo é o melhor lugar
Mas me lembrei do nosso inverno azul

Eu quero é viver o sol
É triste ter pouco sol
É triste não ter o azul todo dia
A nos alegrar
Nossa energia solar
Irá nos iluminar
O caminho


Executar uma melodia ao sol, à luz que vem do sol – solar.  Uma existência que nasce dos elementos naturais: terra, água, ar, luz, sol – umidade e calor: fotossíntese – e torna-se outro, mais um, elemento da natureza, diferente dos outros já existentes. Buscamos na biblioteca e nos exemplos alheios observar as formas de linguagem, de existir, mas é na interpretação dos fenômenos e sobretudo com a criação de algo novo que se engendra alguma outra ideia de composição. É preciso mesmo que se construa ideias de novos mundos, a comunidade que vem deve ser elaborada à luz de uma plena abertura de sabedoria de convivência. A atividade criativa livre, desenraizada, rompendo o grosso gesso das molduras irá furar o guarda-sol, para que entre novas iluminações que façam pensar formas diversas de relacionamento entre o ser e o mundo, com uma interação frutífera à saúde da paz de espírito e aos organismos pulsantes. Nada é simplesmente dado, tudo se deve pensar com a mente limpa e desbloqueada a maneira plural de criar outras posturas, experimentar possibilidades: a poesia que opera nos olhos a percepção. Viajar, amizade, compartilhar instantes: viver a vida. Fazer da vida uma obra de arte.  

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