A primeira coisa que aprendi com Mauricio Vasconcelos, meu professor/orientador do mestrado foi – e na verdade só um tempo mesmo depois que fui realmente assimilar a ideia – que a pesquisa, a dissertação que eu iria produzir não deveria servir como um gancho para arrumar um emprego melhor. Eu, a princípio, pensava que sim, em fazer um mestrado, me graduar um pouco acima e conseguir um emprego razoável: numa faculdade ou que fosse um bom cursinho. Com o passar do tempo e com as leituras feitas acerca da literatura e da filosofia, fui entendo melhor o que ele queria dizer. Não importasse onde estaria eu (misturando tempos e modos verbais a colocações pronominais, discordando o predicado do sujeito!), mas que tivesse fazendo valer à pena, vibrar com atividade criativa. A experiência no cotidiano escolar atualmente é broxante! Consegui me desvincular daquilo que me atolava: a falta da Educação, chafurdada numa lama medieval e ao mesmo tempo muito burguesinha/hipócrita. Hoje estou dando aula de literatura em curso pré-vestibular como voluntário e trabalhando com reabilitação tardia da linguagem oral e escrita com a língua portuguesa, com semi-analfabetos quase-abandonados – não só pelo “Governo”, como por nós também – justamente porque é onde estou (e onde deveria estar!), onde a capacidade permite e a paciência tolera e a barriga ronca. É claro que eu gostaria de ser melhor remunerado, a miséria salarial do docente é que é a vergonha! O primeiro que deveria ter o bom senso de respeitar o professor é o poder público, com um salário decente, mas aí já é outro blá blá blá. Agora, acho que devíamos, às vezes, pelo menos, descer um pouco do pedestal; parafraseando Eduino Orione: “Pensa na praia de Copacabana, não somos nem um grão daquela areia perante a imensidão do universo”. A gente se acha importante demais e olhamos as pessoas demenos. Lembro (de novo!) de Alexander Supertramp: da “possibilidade de ser útil a quem é fácil ser bom: ‘PESSOAS’. Pessoas que não estão acostumadas a serem servidas. E trabalhar com algo que possa ser proveitoso, além de descansar, natureza, música... e amar seu próximo. Essa é a minha ideia de felicidade”. E não é?! O trabalho do estudo para a pesquisa da dissertação valeu muito para construir a liberdade de pensar e para conseguir ver que a escolha pelo próprio caminho e a renúncia das coisas/discursos requer força, pois para os fracos fica mais confortável se engessar na moldura. Então, se escrevo um livro, se pinto uma tela ou se toco um violão, não é para ficar rico, vendendo tudo o que produzo (para isso insisto, de vez em quando, com as últimas moedas, cabeçuda e paradoxalmente na mega-sena!). Toco minha flauta na chuva, e compartilho com pessoas essenciais o que crio e vivencio; e isso já me satisfaz. Sou feliz assim. Mas agora a música já deve estar ficando baixinha, e você nem está entendo mais nada do que eu estou dizendo... Vou indo sem me importar muito com ecos, acho mesmo que não devemos levar tão a sério, seguindo e cagando... mole... Principalmente a secretários de educação e cultura burocratas e corrompidos, a supervisores de ensino esclerosados e a toda corja. Antes de ser “professor” (que enfia os rabos entre as pernas ao menor sinal de um chicotezinho do sistema estralando), sou cidadão do mundo, e estou aí, sem fósforo ou gasolina, com muita lenha pra queimar!
Renuncie!!!!Deixe a água cair no gesso antes que ele te consumae te endureça,tire os sapatos, use a camiseta poída, plante seu sustento e junte as MOEDAS de suas obras.Caso não fique a contento, não deixe o sistema te abraçar, coloque em prática as palavras do Alexandre Supertramp "ser útil a quem é fácil ser bom:PESSOAS.hoje àqueles que te aguardam por uma miséria de saber que o sistema deixou lá pra trás.Seja o melhor naquilo que faz, o professor aguardado, o diferente, a recompensa certamente não estará no seu bolso e sim em mais um que vovê formou opinião.Tenha certeza cagando mole ou não os ECOS virão.
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