quinta-feira, 27 de junho de 2013

continuidades sobre vontades, Schopenhauer

Viver é sofre:
A vontade é a raiz metafísica do mundo e da conduta humana; ao mesmo tempo, é a fonte de todos os sofrimentos.
Filosofia pessimista, pois a vontade é concebida como algo sem nenhuma meta ou finalidade, um querer irracional e inconsciente. Sendo um mal inerente à existência do homem; ela gera dor, necessária e inevitavelmente, aquilo que se conhece como felicidade seria apenas uma interrupção temporária de um processo de infelicidade. Para Schopenhauer, o prazer é momento fugaz de ausência de dor e não existe satisfação durável. Todo prazer é ponto de partida de novas aspirações, sempre obstadas e sempre em luta por sua realização: viver é sofrer.
A filosofia de Schopenhauer aponta alguns caminhos para a suspensão da dor: a contemplação artística desinteressada.
Na arte, a relação entre a vontade e a representação inverte-se: a inteligência deixa de ser atriz para ser espectadora. A atividade artística revelaria as ideias eternas através de diversos graus: arquitetura, escultura, pintura, poesia lírica, poesia trágica e música. A música ocupa o primeiro lugar entre todas as artes. A música poderia exprimir a Vontade em sua essência geral e indiferenciada, um meio capaz de propor a libertação do homem.

No nada, a salvação
A libertação proporcionada pela arte não é completa. A arte significa apenas um distanciamento passageiro e não a supressão da vontade. Para que atinja a libertação, é necessário que o homem ascenda ao nível da conduta ética, a qual representa uma etapa superior no processo de superação das dores do mundo.
Sua ética não se apóia em mandamentos, antes na noção de que a contemplação da verdade é o caminho de acesso ao bem.
A superação do egoísmo somente seria possível mediante o conhecimento da natureza única e universal da Vontade. Ao espírito de luta contra os semelhantes segue-se o espírito de simpatia.
O princípio fundamental de toda verdade moral: não prejudiques pessoa alguma, seja bom com todos.
A mais completa forma de salvação para o homem somente pode ser encontrada na renúncia quietista ao mundo e a todas as suas solicitações, na mortificação dos instintos, na auto-anulação da vontade e na fuga para o Nada.
Em vez desse tumulto de aspirações sem fim, em vez dessas passagens constantes do desejo ao medo, da alegria ao sofrimento, em vez dessas esperanças sempre inalcançadas e sempre renascentes, que fazem da vida humana, enquanto animada pela vontade, um sonho interrompido.
A vontade desapareceu, subsiste apenas o conhecimento.     

Nenhum comentário:

Postar um comentário