quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Três poemas publicados pela Editora Literasas, dezembro de 2012


Pena de um portu-brasil (um poema dadaísta)

Lamba jongo cafundó caxambu
Xingar oxum azoeira iaé
Nhenhenhém ziquizira sacana calunga
Itatiba zonzu odara baquara
Kabu’ré bambarê molambo fungar
Oxumaré guimba diamba ibi
Jagunço mambembe tantã tunda
Aboité yamí fuzuê abá
Muxiba maculelê inhalá abretê
Urucubaca caxangá bagunça titica
Lelé lengalenga banguela lundu
Muamba patota bunda Araxá
Quengo ginga ité puíta
Nambiquara ita banzé samba
Quenga peba goitacá acag
Catinga tiyug zumzumzum raiva
Cafuné nana chilique cubata
Cachimbo xuatê guarani
Yara erê ori abaetuba
Cachaça carioca auá farofa
Abará eçaraia marimba abaçaí
Ig cochilar apuamá iua
Cubata guará capenga exu
Fuzuê avanheenga xodó amerô
Gororoba afoxé anhanguera cazumbi
Moleque Ivã cafofo Ava
Abanheém cari iandê camb
Abaré ete aisó aquitã
Aracê nheengatu catita tiwa
Catimba anama curumim alva
Cafua catinga apoema akag
Iba iviturui maracutaia batuque
Nhe membira muvuca Açu
Acemira rudá tribufu congada
Borocoxô tiririca avati fulo
Babá banzé airequecê yawara


 Pedra para Josés

Uma pedra no caminho tinha.
José fumou a pedra.
José, e agora? E agora, José?
Se tivesse no caminho outra pedra,
José fumaria.
José quer pegar outra pedra no caminho,
Queimar até acabar.
Agora José rouba,
Pra comprar pedra.
Pedra no caminho encontra fácil.
Derrete José.
Qualquer caminho tem pedra.
José mata por uma pedra.
No meio do caminho fuma pedra.
Petrifica, José. 
José tornou-se cinza.
A pedra fumou José.
Muitos josés a pedra pega.
Mata os josés a pedra.
E agora, Pedra?
Que chegue o próximo josé.


 Defenestrando (para Maurício Salles de Vadconcelos)

Infância e história. Performatizar linguagem. Experiência, domínio, discurso. Matriz recriada de sujeito. Arqueologia. Saber. História como teia discursiva. O eu do discurso não é o eu da experiência. Pulsação de vida potencializada com o campo discursivo: lidamos com discursos. Identificação entre Homem e Linguagem. O homem é falado pelo inconsciente, se manifesta pelo que não se diz. Modo de ler operante o ser da linguagem. Genealogia. Modo de operar as possibilidades da história. Vasculhar avessas perspectivas. Escavar os discursos. Quais campos do saber são valorizados. O campo do não dito. Apreender a polifonia. O outro modo de fazer História. O que tem de emergente. Rachar os discursos para não ter o estabelecido. Chegar ao inapreensível. Abraçar o dorso do abstrato. É preciso muita observação para que a observação (coisa observada) observe você. Já dito. Enfrentar as tradições. Problematizar. A terra percebe o cadáver. Exemplo intempestivo. Diz do presente. É emergente. Põe em risco o não dito. O Humano é da ordem do inacabado. A escrita pacifica as angústias nunca acabadas. Mas só ameniza. Depois explodem outras. Desenrola mito. Ser pai é narrar algo. Refrações da memória. As vozes que formam a transitividade. Alguém em relação ao outro em desabrigo. Trabalhar para potencializar a sua história de vida. A epopéia do texto: o risco de descobrir a linguagem. Acordei com uma vontadezinha de chorar. Cortes. Memória involuntária. Estupro e violação: cortar a língua e os dedos para não haver relatos. Conceitual. Sonoro. Imagético. Rítmico. O verso. Ler é criar sonhos. Escrever salvar-se do maremoto. Que esteja em brasa a mente.    


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