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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
RECICLANDO leituras - O curioso caso de Benjamin Button
Assistindo novamente a alguns filmes, percebem-se outras coisas. Como sugeriu a mim “O curioso caso de Benjamin Button”, de David Fincher.
A curiosidade é algo inerente ao ser humano, quer-se sempre saber o que há por trás da porta, o que existe por ali, o que acontece por aqui. Possivelmente, quando alguém se encontra na eminência da morte, já vencido o medo, desgarrado de crenças, uma das mais prováveis das curiosidades deve ser: “o que vem depois”. E, de fato, uma coisa é certa, “nunca se sabe o que nos espera”. Pois, numa perspectiva nietzscheana do mundo, da vida, dos fenômenos da natureza, da imaginação e da criação artística, “tudo é possível”, estando já deus morto – ou não.
Um determinismo às avessas discorre em cena. “Nunca deixe ninguém contrariar você. Tem que fazer o que está determinado a fazer”. Quando, a sua maneira, em seu determinado tempo, cada um constrói o seu próprio destino; a mercê de todos os desequilíbrios que a vida pode improvisar em sua trajetória.
Florescer e amadurecer são virtudes do ser, que requer persistência, bom senso e determinação. Há de se deixar sentir como “crescer é uma coisa engraçada, acontece de repente”. E não se deve temer envelhecer, pois apenas a casca enruga, enquanto a alma resplandece a cada passo dado, com cada raiar do sol e com cada luar da noite. “Quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos? o tempo andou riscando meu rosto / com uma navalha fina / sem raiva nem rancor / o tempo riscou meu rosto / com calma” (Viviane Mosé) – quem percebe, assimila.
A felicidade é uma invenção da modernidade, seria inviável e broxante passar vinte e quatro horas gozando. A escuridão, pedras e tropeças também devem aparecer pelo caminhar da vida, para que haja a superação, para que aí sim a pessoa cresça, pois o conforto amolece o sujeito. Temos de saber conviver e assimilar as fatalidades da melhor maneira possível, e sentir a dor, quando se dói realmente. Por isso, “a gente pode ficar furioso com o rumo dos acontecimentos. A gente pode xingar, pode amaldiçoar o destino, mas quando chega o fim, a gente tem que aceitar”. Vai nadar contra a correnteza? “(eu parei de lutar contra o tempo / ando exercendo instantes / acho que ganhei presença)” (Viviane Mosé). A cada vez que se levanta do chão, um recomeço espera por você.
“Nossas vidas são definidas pelas oportunidades, até as que perdemos”. E são as escolhas, os caminhos que decidimos tomar que criam nossos destinos. O inesperado de cada caminhada é que é o clímax da breve travessia. “Às vezes, estamos numa rota de colisão e nem sequer sabemos. Seja sem querer, ou de propósito, não há nada que possamos fazer”. Ora, o esquecimento, o retorno, o imprevisto. E, alguns minutos, instantes, na simultaneidade de outros acontecimentos em outros lugares, os eventos e as coisas se convergem para um mesmo caminho – que criará um determinado momento, que sempre traz alguma consequência. Enquanto um fato se desenrola, outro começa a rolar. Um atraso, um passo à frente, uma pausa, a pressa, um movimento retardado: tudo influi em algum devir. Se e somente se uma das coisas tivesse acontecido de outra forma, em uma diferente ordem, um acontecimento um pouco antes, ou um pouco depois, mudaria todo o rumo das coisas; mas... Tudo pode acontecer. E não seria exatamente assim que deveria acontecer, já que foi assim que aconteceu? (parafraseando Sérgio Sant'Anna). Além disso, “Sendo a vida uma série de vidas cruzadas e incidentes fora do controle de qualquer um”... Acidentes acontecem, e aí só nos resta aceitar. E continuar. E nos reeducarmos novamente, tirando a lição com as consequências. E de novo e quantas vezes for necessário, para seguir com o fluir do universo, enquanto estiver vivo – pois “nada é para sempre”.
Por isso, devemos ter em mente que “Nunca é tarde demais para ser quem você quer ser. Não há limite de tempo. Comece quando quiser. Mude ou continue sendo a mesma pessoa. Não há regras para isso”. Porque na vida se é o que se é. “E não se engane, meu amigo, a vida é uma só” (Vinícius de Moraes). Aquilo que se pensa e a condução de suas atitudes. As ações, por vezes, podem até não condizerem com os sentimentos, no entanto, o ditado popular funciona muitas vezes: você colhe o que você planta.
E da horta da vida, o que esperar? Tirar o máximo proveito ou o mínimo. Que seja o máximo! Importante é fazer valer à pena, seja como for. “Espero que veja coisas surpreendentes; espero que sinta coisas que nunca sentiu antes; espero que conheça pessoas com um ponto de vista diferente (e isso realmente salva); espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se não se orgulhar dela, espero que encontre forças para começar tudo de novo”. Na vida, deve sempre haver uma página em branco, para começar um outro parágrafo.
A memória é um jardim a ser bem cultivado. De fato, “algumas coisas a gente nunca esquece”. Mas... “Tudo bem esquecer algumas coisas”; visto que virtuoso também é aquele que esquece, pois pode encontrar mais espaço em branco na mente para preencher com ideias novas.
Percebe-se, por fim, que:
“Algumas pessoas...
Algumas pessoas...
Algumas pessoas...
E algumas pessoas... Dançam”.
Rejuvenescer a alma é um árduo, porém pleno, trabalho. Mas o tempo... Voltar para trás... Não. Como cantou nosso poeta, “O tempo não pára”.
“um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando” (Viviane Mosé).
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