Tudo
na natureza, inclusive a consciência, é perfeitamente real: não há
absolutamente nada com o que se preocupar. As correntes da Lei não foram apenas
quebradas, elas nunca existiram. Demônios nunca vigiaram as estrelas, o Império
nunca começou, Eros nunca deixou a barba crescer.
Não.
Ouça, foi isso que aconteceu: eles mentiram, venderam-lhe ideias de bem e mal,
infundiram-lhe a desconfiança de seu próprio corpo e a vergonha pela sua
condição de profeta do caos, inventaram palavras de nojo para seu amor
molecular, hipnotizaram-no com a falta de atenção, entediaram-no com a
civilização e todas as suas emoções mesquinhas.
Não
há transformação, revolução, luta, caminho. Você já é o monarca de sua própria pele
– sua liberdade inviolável espera ser completa apenas pelo amor de outros
monarcas: uma política se sonha, urgente como o azul do céu.
Terrorismo
Poético
Dançar
de forma bizarra durante a noite inteira nos caixas eletrônicos dos bancos.
Arrombe
apartamentos, mas, em vez de roubar, deixe objetos Poético-Terroristas.
Sequestre
alguém e o faça feliz.
Escolha
alguém ao acaso e o convença de que é herdeiro de uma enorme, inútil e impressionante
fortuna – digamos, 5 mil quilômetros quadrados na Antártica, um velho elefante
de circo, um orfanato em Bombaim ou uma coleção de manuscritos de alquimia.
Organize
uma greve em sua escola ou trabalho em protesto por eles não satisfazerem a sua
necessidade de indolência e beleza espiritual.
Terrorismo
Poético também pode ser criado para lugares públicos: poemas
rabiscados
nos lavabos dos tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques e
restaurantes, arte-xerox sob o limpador de para-brisas de carros estacionados,
slogans escritos com letras gigantes nas paredes de playgrunds, cartas anônimas
enviadas a destinatários previamente eleitos ou escolhidos ao acaso (fraude
postal), transmissões de rádio piratas.Cimento fresco...
Se
não mudar a vida de alguém (alémda do artista), ele falhou.
Uma
primorosa sedução praticada não apenas em busca da satisfação mútua, mas também
como um ato consciente de uma vida deliberadamente bela – talvez isso seja o Terrorismo
Poético em seu alto grau.
Os
Terroristas-Poéticos comportam-se como um trapaceiro totalmente
confiante
cujo objetivo não é dinheiro, mas transformação.
Não
faça Terrorismo Poético para outros artistas, faça-o para aquelas pessoas que não
perceberão (pelo menos não imediatamente) que aquilo que você fez é arte. Evite
categorias artísticas reconhecíveis, evite politicagem, não argumente, não seja
sentimental.
Seja
brutal, assuma riscos, vandalize apenas o que deve ser destruído, faça algo de
que as crianças se lembrarão por toda a vida – mas não seja espontâneo a menos
que a musa do Terrorismo Poético tenha se apossado de você.
Vista-se
de forma intencional. Deixe um nome falso. Torne-se uma lenda. O melhor
Terrorismo
Poético é contra a lei, mas não seja pego. Arte como crime; crime como arte.
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