sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Decomposição asfáltica

Havia um caminho. Caminhava, cruzaria ele esse caminho. Num outro, um qualquer, vinha cruzando o mesmo caminho, de forma que horizontais e verticais se encontrariam, como se cruzam as longitudes e altitudes, esbarrando os pontos de encontro nas curvas. Fatalidade acontece. O que ia indo, não vai mais. O que passou varado foi. Que será que se passa na cabeça de quem foi... que ficou a cabeça daquele que não foi. Que sente na mente o que lá vai... nada... (?).

Plafhthiizchssskggfffrraaaieeshh tentativa de reprodução de uma onomatopeia para descrever o som de:

O automóvel passa por cima de matéria: ossos, carne, miolos, pele, pelo: cachorro. Vários automóveis, grandes ou menores, vão passando pela mesma via em cima da mesma coisa que foi um corpo de um ser ainda vivendo na ingenuidade da vida, feliz e sorridente, que abanava um sorriso no rabo, que completava outros por sorrirem também; que transmitia afetos de graça; que mordia para brincar; que amava por amar...

Logo, quase resíduos nenhuns sobram. Pois vão se espalhando

“A vida é um pisca-pisca”, já dizia Emília. E me recordo ainda também de ter lido em Sérgio Sant’Anna, “Conto (não conto)” (?), a ideia de que – parafraseando – o universo não para por causa da morte de um cavalo, ou seria de um macaquinho, ou de um homem, enfim, qualquer que seja, o universo só para para aquele que para de piscar (ou não, de acordo com a hipótese da crença).  

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