Ser a metamorfose
ambulante. Assim Raul Seixas conseguia libertar o seu espírito.
Buscando diferentes perspectivas para ver a vida para não ter aquela
velha opinião formada sobre tudo. Não, eu vou desdizer o que eu
disse antes: não ter a velha opinião formada sobre tudo liberta o
espírito de Raul. Já foi católico, budista, protestante, pantera,
hippie e tinha o símbolo da paz dependurado no pescoço, consultou e
acreditou, depois, outra alternativa experimentou.
Confusões na mente
o levam a tentar outra vez, superando em cada momento o descompasso
da harmonia. Criando aquilo que o satisfazia faz a sua obra, compõe
a sua vida na melodia. Dando sentidos contrários aos signos, com
potência fabula o novo. Com valores des-louc-ados, o ouro fica para
os tolos e o trabalho às formigas, pois essas não sabem cantar.
Com o grande
estilo, acreditando naquilo que finge ser que é e se é, forma a
grandeza do artista, desdenhando os belos sentimentos ama os momentos
com paixão ao próximo sol que está nascendo fora das bancas de
jornais, no grito de sua lucidez, e fortifica o caos dando forma à
força em seu exílio astronáutico. Bailarilando seu conhecimento
sobre as filosofias da vida pega o trem, tem a visão, poetar sem
razão e cantar com emoção. Dá sinal de que a ordem do maluco
beleza é o grau de abstração da realidade convencional: do sistema
é a mosca na sopa, a sua sociedade é a alternativa.
Na medonha paranóia
daquilo que não se vê, canta a canção cheia de gargalhadas, pois
o fim de mês já está aí, e uma nova cachaça para empolgar os
ânimos da criatividade com as asas de dez mil anos atrás: na
confusão da tempestade brotam ventos assobiando e batucando o novo
ritmo para degustar a maçã.
Os caminhos da vida
trilhou com abissal delírio para o acorde dissonante, e no risco do
sucesso riscou o seu nome no rock’n roll: Raul Seixas.
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