quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O espírito livre de Raul Seixas



Ser a metamorfose ambulante. Assim Raul Seixas conseguia libertar o seu espírito. Buscando diferentes perspectivas para ver a vida para não ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Não, eu vou desdizer o que eu disse antes: não ter a velha opinião formada sobre tudo liberta o espírito de Raul. Já foi católico, budista, protestante, pantera, hippie e tinha o símbolo da paz dependurado no pescoço, consultou e acreditou, depois, outra alternativa experimentou.
Confusões na mente o levam a tentar outra vez, superando em cada momento o descompasso da harmonia. Criando aquilo que o satisfazia faz a sua obra, compõe a sua vida na melodia. Dando sentidos contrários aos signos, com potência fabula o novo. Com valores des-louc-ados, o ouro fica para os tolos e o trabalho às formigas, pois essas não sabem cantar.
Com o grande estilo, acreditando naquilo que finge ser que é e se é, forma a grandeza do artista, desdenhando os belos sentimentos ama os momentos com paixão ao próximo sol que está nascendo fora das bancas de jornais, no grito de sua lucidez, e fortifica o caos dando forma à força em seu exílio astronáutico. Bailarilando seu conhecimento sobre as filosofias da vida pega o trem, tem a visão, poetar sem razão e cantar com emoção. Dá sinal de que a ordem do maluco beleza é o grau de abstração da realidade convencional: do sistema é a mosca na sopa, a sua sociedade é a alternativa.
Na medonha paranóia daquilo que não se vê, canta a canção cheia de gargalhadas, pois o fim de mês já está aí, e uma nova cachaça para empolgar os ânimos da criatividade com as asas de dez mil anos atrás: na confusão da tempestade brotam ventos assobiando e batucando o novo ritmo para degustar a maçã.
Os caminhos da vida trilhou com abissal delírio para o acorde dissonante, e no risco do sucesso riscou o seu nome no rock’n roll: Raul Seixas.           

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