terça-feira, 15 de maio de 2012

Lendo a vida

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Estudando Nehamas entendi o que ele percebe em Nietzsche sobre a perspectiva da vida e do mundo enquanto texto. Uma narrativa. E as coisas do mundo são como os elementos que constroem a narração: os espaços, as personagens, as ações que desenvolvem em seus devires naturais, para além do bem e do mal.
Cada um compõe a sua própria história, escolhe os caminhos, vai escrevendo seus parágrafos, errante nas pontuações, e forma a sua existência.
Toda história tem um ponto final, como assim terá esse texto e também a minha vida – a vida desse que escreve agora – e por isso, enquanto ela não finda, eu a escrevo, produzindo trabalho: palavras.
Reproduzo aqui essa ideia por assim crer, ao menos no momento. E tenho fé: “existe é homem humano. Travessia”. Cada um em seu deserto, com seus macacos.  
Coisas que embalam a forma de viver: Bob Marley, cerveja e larica. Ou o jazz, o tinto seco e a massa. Ou o blues rock, o uísque e a cocaína. “A cada dia a sua aflição”. E a beleza de poder escolher, o que usar a cada momento, e estar cada hora em um lugar, bailarino e saltitante entre as crenças – enquanto vivo.
Ouvir o som e o silêncio, que é o “som que combina com o nosso sangue” – ouvi de um poeta. E uma outra ideia, de que o presente é o que acontece enquanto se planeja o futuro. E como cantava Gonzaguinha: “Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas”. Aí estão as prosas que constroem encadeamentos de postura. Eu, com a faca e o queijo, me corto, como os dois junto ao sangue.
Enquanto isso, o vento passa sussurrante pela janela, os pássaros piam ao leste-oste, cachorros ladram ao longe, outro espreguiça aqui ao lado. Com música, acorda mais um dia da vida, para viver nesse mundo. 

2 comentários:

  1. A falta de definição,por si só, define a vida. Tudo é transitório...
    Beijos..beijos...no meio deste trânsito.

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  2. "Viver a que será que se destina?" já perguntava Caetano Veloso e avisava que “a pele é tão fina”. E só ela (tão frágil) nos separa e protege do mundo. Viver é complicado. Mas você tem razão. É uma narrativa. Nós somos a narrativa. Abração aí.

    Walter Cezar

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