segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Engradado


engradado nos vitrals, ideias perdidas

massa e tinta acrílicas sobre tela, 70 x 50

2 comentários:

  1. daí andré, um comentário longo:

    Uma arte
    Bishop, Elizabeth. O iceberg imaginário e outros poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 309

    (Tradução de Paulo Henriques Britto)

    A arte de perder não é nenhum mistério;
    tantas coisas contêm em si o acidente
    de perdê-las, que perder não é nada sério.

    Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
    a chave perdida, a hora gasta bestamente.
    A arte de perder não é nenhum mistério.

    Depois perca mais rápido, com mais critério:
    lugares, nomes, a escala subseqüente
    da viagem não feita. Nada disso é sério.

    Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
    lembrar a perda de três casas excelentes.
    A arte de perder não é nenhum mistério.

    Perdi duas cidades lindas. E um império
    que era meu, dois rios, e mais um continente.
    tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

    — Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
    que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
    que a arte de perder não chega a ser mistério
    por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

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    Respostas
    1. Muito bom o poema, não conhecia e nunca havia refletido nessa perspectiva. Percebi que já sou mestre, realmente, pois há tempos me encontro é PERDIDO-EU.

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